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Tipo: Trabalho Completo
Título: Filosofia Panecástica de Joseph Jacotot no império brasileiro: potência no atual debate sobre alfabetização.
Título(s) alternativo(s): Panecastic Philosophy of Joseph Jacotot in the Brazilian Empire: power in the current debate on literacy
Autor(es): Albuquerque, Suzane Lopes
Resumo: A destinação social do intelectual não é simples de delimitar. É possível dizer que, na condição de pessoa pública, todo intelectual repercute suas ideias para um raio amplo de escuta. Sob tal perspectiva, com frequência, a serem assimilados por quaisquer grupos sociais, os intelectuais identificam-se por um dado reconhecimento público de mérito, o qual confere a ele um lugar relativamente privilegiado no tabuleiro societário. Compondo a comunicação coordenada “Os Intelectuais da educação e sua repercussão pública”, este artigo contempla o intelectual Joseph Jacotot (1770-1840), que nos oferece uma proposta pedagógica, bastante peculiar, contrária ao que ele compreendia ser os mestres explicadores, em prol daquilo que já foi nomeado “mestre ignorante”. Jacotot toma como princípio de sua pedagogia a igualdade das inteligências, que se ancorada em uma filosofia, que ele chamará de Panecástica. Neste artigo, serão trabalhados os ecos dessa proposta filosófico-pedagógica no cenário brasileiro. O campo da alfabetização no Brasil atravessa eras buscando novidades metodológicas, como se aí residisse o mal ou a solução para os problemas envolvidos nesta área. Dessa forma, a panacéia dos métodos transitou historicamente pelo Panóptico do método de Ensino Mútuo, que foi contrastado com os métodos simultâneos. No contexto de uma Política Nacional de Alfabetização (2019) brasileira que indica o método fônico, urge fazer audível a Filosofia Panecástica, criada por Jacotot, que circulou no Brasil império e que foi silenciada por motivos mais latentes do que nunca. Como não silenciar uma filosofia fundamentada na máxima “Tudo está em tudo” para tratar da emancipação intelectual dos sujeitos, em contraposição à onipresença do poder e do olhar vigilante do mestre que prescreve, regula, vigia e normatiza a potência da leitura de mundo, da escrita inventada e da infância? O presente artigo tem como objetivo promover uma reflexão sobre a premissa da igualdade das inteligências contida na Filosofia Panecástica, bem como apresentar as apropriações e desdobramentos desta ruptura no campo dos métodos de ensino de leitura e escrita da língua materna no império brasileiro (século XIX), apresentando esta potência no atual debate sobre alfabetização. A partir de obras como O mestre ignorante (2015) do filósofo Jacques Rancière e Joseph Jacotot: le pedagogue paradoxal (2012), de Claude Raisky, esta discussão torna-se imprescindível na atualidade brasileira para problematizar a questão da emancipação e igualdade nas relações com o saber, opondo-se à uma ordem explicadora de um professor conteudista, reprodutivista e engessado por programas de alfabetização com um viés restritivo de uma marcha metodológica e de uma matriz como a do método fônico de alfabetização, por exemplo. A partir de uma pesquisa bibliográfica e com fontes históricas como ofícios, requerimentos, fontes jornalísticas, cartas, periódicos, dentre outras, buscou-se debater a dimensão filosófica contida na Panecástica de Jacotot, evocando o princípio da analogia da máxima “Tudo está em tudo” no ensino da língua materna, debatendo os vínculos entre a dimensão política de uma leitura do mundo relacionada à leitura das palavras, em um processo de subjetivação. Depreende-se daí a potência de uma filosofia do século XIX frente ao processo de resistência à uma atual Política Nacional de Alfabetização para a infância brasileira restritiva à uma marcha metodológica sintética. Ressalta-se a veiculação desta potente filosofia em diferentes fontes no Brasil imperial e seu posterior silenciamento, sendo retomada no Brasil somente após a tradução da obra O mestre ignorante para o português em meados dos anos 2000.
Abstract: The social destination of the intellectual is not simple to delimit. It is possible to say that, as a public person, every intellectual passes on his ideas to a wide range of listening. From this perspective, intellectuals are often identified by a given public recognition of merit, often assimilated by any social groups, which gives them a relatively privileged place on the societal board. Composing the coordinated communication “The Intellectuals of Education and their Public Repercussion”, this article contemplates the intellectual Joseph Jacotot (1770-1840), who offers us a pedagogical proposal, quite peculiar, contrary to what he understood to be the masters explainers, in favor of of what has already been named "ignorant master". Jacotot takes as a principle of his pedagogy the equality of intelligences, which is anchored in a philosophy, which he will call Panecastic. In this article, the echoes of this philosophical-pedagogical proposal in the Brazilian scenario will be discussed. The field of literacy in Brazil goes through ages looking for methodological innovations, as if the evil or the solution to the problems involved in this area resided there. In this way, the panacea of ​​the methods historically transited through the Panopticon of the Mutual Teaching method, which was contrasted with the simultaneous methods. In the context of a Brazilian National Literacy Policy (2019) that indicates the phonic method, it is urgent to make audible the Panecastic Philosophy, created by Jacotot, which circulated in the Empire of Brazil and which was silenced for more latent reasons than ever. How not to silence a philosophy based on the maxim “Everything is in everything” to deal with the intellectual emancipation of subjects, as opposed to the omnipresence of power and the watchful eye of the master who prescribes, regulates, monitors and regulates the power of reading the world, invented and childhood writing? This article aims to promote a reflection on the premise of the equality of intelligences contained in the Panecastic Philosophy, as well as to present the appropriations and unfoldings of this rupture in the field of teaching methods of reading and writing of the mother tongue in the Brazilian empire (19th century) , presenting this power in the current debate on literacy. From works such as The ignorant master (2015) by the philosopher Jacques Rancière and Joseph Jacotot: le pedagogue paradoxal (2012), by Claude Raisky, this discussion becomes essential in the Brazilian present to problematize the issue of emancipation and equality in relations with knowledge, opposing an explanatory order of a content-oriented, reproductive teacher, plastered by literacy programs with a restrictive bias of a methodological march and a matrix such as the phonic method of literacy, for example. From a bibliographical research and with historical sources such as letters, requirements, journalistic sources, letters, periodicals, among others, we sought to discuss the philosophical dimension contained in Jacotot's Panecastic, evoking the principle of analogy of the maxim "Everything is in everything". ” in the teaching of the mother tongue, debating the links between the political dimension of a reading of the world related to the reading of words, in a process of subjectivation. Hence, the power of a nineteenth-century philosophy in the face of the process of resistance to a current National Literacy Policy for Brazilian children that restricts a synthetic methodological march can be inferred. The publication of this powerful philosophy in different sources in imperial Brazil and its subsequent silencing is highlighted, being resumed in Brazil only after the translation of the work O mestre ignorante into Portuguese in the mid-2000s.
Palavras-chave: Jacotot; Panecástica; Alfabetização.
CNPq: CNPQ::CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO::FUNDAMENTOS DA EDUCACAO::HISTORIA DA EDUCACAO
Idioma: por
País: Brasil
Editor: Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Citação: ALBUQUERQUE, Suzana Lopes de. Filosofia panecástica de joseph jacotot no império brasileiro: potência no atual debate sobre alfabetização. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO, Não use números Romanos ou letras, use somente números Arábicos., 2022, São Paulo. Anais [...] . São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2022. p. 1-12.
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: http://repositorio.ifg.edu.br:8080/handle/prefix/1278
Data do documento: 12-Jul-2022
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